terça-feira, 13 de março de 2012

Escrevo. E rima com o que mesmo? Esmo. À esmo. (?!)


às vezes escrevo

não pelo dizer

ou pelo bem querer

mais pela vontade

em tê-las e

vê-las

do que querer

o quê no dizê-las

assim

espalhadas

divididas

separadas

ou não

deixam-me em fascínio

fácil fácil me intrigam

e

nelas

por serem elas é que elas

são

que me completam

sem se cobrar

sem se pedir

ou retirar

às vezes, discutem ou fecham-se

meninas feitas de foice

mas elas serão mais que elas

palavras do meu vazão.

sábado, 10 de março de 2012

Alguém que te ouça



Sabe, meu bem, fazia tempo que eu não ia à praia encontrar você sentado onde você sempre senta e observa todo mundo que passa. Calado, escuta cada palavra que eu diga e nunca atrapalha. É que eu estive por aí na corrida do enlouquecida do sifrão que nos cerca. Todo final de mês é a mesma coisa. E, meu bem, não se preocupe, eu não consegui conversar com ninguém. É que nessa época a corrida não é só minha, não, e não sobra um cristão pra uma conversa dessas.
Dia desses ouvi um cara na rua  dizer para o outro que, recém voltado de São Paulo presenciou uma cena indo buscar o metrô, ele dizia que do lado direito da escada rolante ninguém ia, é a parte dos que passam correndo e quem estiver no caminho, se prepare, vai ser pisoteado! Fiquei de cara, mas vou entendendo cada vez mais onde estamos vivendo. Ou melhor, morrendo.
Na sexta fui a um bar, você sabe, gosto de ter a desculpa de ouvir a conversa dos outros aí me pago uma bebida para. O fato é que duas mulheres, já deviam estar no terceiro litro de conhaque, quando diziam da coisa de não ter alguém que te ouça. Uma delas reclamava do namorado que jamais a telefonava para nada. Ela queria alguém ligando para ela para não falar nada. Ou seja, alguém que não precisasse de um motivo inicial para uma conversa ao telefone, já que presença não tinha. E trabalhavam na mesma empresa, vivendo por uma parede que os separassem.
Aí no caminho encontro um bêbado, devia ter saído do mesmo bar. Me assustou quando cheguei na esquina e ele me abordou dizendo: "Eu bebo para viver, tantas pessoas não bebem e estão morrendo."
Eu não sei, meu bem, é tanta coisa estranha acontecendo. O homem anda se perdendo na coisa mais simples que é a vida. Eu não sei aonde vamos se a coisa continuar. Estamos surdos-mudos o tempo todo, piloto automático.
Diálogo. É preciso reaprender a dialogar. Se eu soubesse, não precisaria vir aqui na praia de Copacabana porque a única pessoa que me ouve é a estátua de Carlos Drummond.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Paz:ciência


Que seja como tudo é.

P A C I Ê N C I A
pAz
        Cien-TE
paz:ciência

e apenas.

Como tudo é. E o que não sabe és.

em viés
e~n~v~i~e~s~a~d~o
nela:

P A C I Ê N C I A
PArA
!
 o que há-de
            ViR
pa-ci-en-te-men-te

V
E
R
I
A

se fosse tu, sapiência.

quinta-feira, 1 de março de 2012

a rede

a rede
todos se conectam
n'ela
e todos se perdem
c'om ela
são linhas e linhas a enlaçar
idéias
informes
solidão
desconexos cérebros sem razão
a rede
estão todos on-line
n'ela
transformando notícias
apagando afazeres
minimizando olhares
do que diz a outra rede
que comanda a população
um lado de cá 
não é o mesmo que o outro lado de lá
em cima do muro
é compartilhar?
e a rede cresce
a rede aumenta
a rede fala
a rede fala
e
vicia falar
e o que se faz pra mudar?
a rede é o que há
a rede cresce
evolução na questão
a rede aumenta
dinheiro no bolso de ladrão
tudo c'om a rede vai
tudo vai
aonde vai?
qual é a nova atualização?
esse é o "x" da questão.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012


Coisas
que
não
são
dizíveis
não tente você me explicar.

Porque eu tô dentro de mim e você tá dentro daí.

Serra


Eis que surge
tico a tico
                             a serrar
                             ventania
                                                  alegria
                                                  conversar
                                                                        vê se entendes
                                                                               quase ouves
                                                                                                         é o silêncio
                                                                                                          a barulhar.

Rasgo o vazio



Vazio
o vazo
razo
rasgado
rasga
galhos
e o grito da gralha
que vaza no ar
e acaba.
 
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